domingo, 2 de março de 2014

É CARNAVAL - Claudia De Villar

É Carnaval
É a festa, a folia
A magia, a fantasia
A paixão sem endereço
É o beijo sem preço
Um sorriso aberto
As mãos bem perto
A loucura das aventuras
A descontração nas alturas
As verdades inventadas
As mentiras criadas
O perdão aparecendo
A reconciliação vencendo
É a coragem que vem
As vontades, também
É a festa da carne
A exaltação do charme
O descompromisso com a dor
A união com o amor
A força do sim
A fraqueza do não
O descompasso dos passos
O poder do abraço
O fim de todo mal
É carnaval!

sábado, 22 de fevereiro de 2014

QUE SEJA DOCE - Caio Fernando Abreu.

Que seja doce o dia que eu abrir as janelas e me lembrar de você.
 Que sejam doces os finais de tardes, inclusive os de segunda-feira 
- quando começa a contagem regressiva para o final de semana chegar.
 Que seja doce a espera pelas mensagens, ligações e e-mails bonitinhos.
 Que seja (mais do que) doce a sua voz ao falar no telefone. 
Que seja doce o seu cheiro.
 Que seja doce o seu jeito, seus olhares, seu receio.
 Que seja doce o seu modo de andar, de sentir, de demonstrar afeto.
 Que sejam doces suas expressões faciais, até o levantar de sobrancelha. 
Que seja doce a leveza que eu sentirei ao seu lado. 
Que seja doce a ausência do meu medo. 
Que seja doce o seu abraço. 
Que seja doce o modo como você irá segurar na minha mão.
 Que seja doce esse amor!

Caio Fernando Abreu.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

VERSOS ERÓTICOS - Barão da Mata

VERSOS ERÓTICOS

O sexo é a sublimação dos corpos

e dos espíritos,

É a deificação dos humanos.

O teu corpo foi feito para o amor.

Ama com a incandescência do teu ato de amor primeiro,

Ama como se amar fosse teu ato derradeiro.


Barão da Mata.






O sexo é a sublimação dos corpos
e dos espíritos,
é a deificação dos humanos.
O teu corpo foi feito para o amor.
Ama com a incandescência do teu ato de amor primeiro,
ama como se amar fosse teu ato derradeiro.

Barão da Mata - Tudo

sábado, 15 de fevereiro de 2014

O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS -Mario de Andrade

O Valioso tempo dos maduros

O valioso tempo dos maduros
Mario de Andrade


"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.


Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

 Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

 Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

 Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade...

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial."

VIZIM DE ZÉ CARDOSO - Barão da Mata

VIZIM DE ZÉ CARDOSO

Vem cá, vizim, desce uma pinga, que eu te conto:
Ninguém no mundo é mais feliz que Zé Cardoso.
É que, cedim, toda manhã, beija a menina
De cabelim assim curtim, sorriso franco,
Bonita assim que nem os campo bem verdim.

Aquele beijo mais parece que alimenta Zé Cardoso,
Que prá labuta sai feliz de inté sartá.
Entra a menina a sorrir por casa a dentro,
E eu fico oiando as coxa grossa, bem clarim,
E sonho vendo o vestidim a balançar.

O dia inteiro aquela potra lava, passa,
Varre, cozinha e canta assim qual passarim.
É tão bonita com zoim assim pretim,
Tão infantis e serenim, cheim de paz.

De tarde chega Zé Cardoso todo prosa,
E ela se agarra, alegre, moça, ao seu pescoço.
Depois, vizim, é um converseiro sem tamanho.
Um tal de "amor", "benzim" pra lá, "benzim" pra cá,
E a casa, assim, meu bom vizim, parece em festa.

Eu imagino, meu amigo, que à noitinha
O meu vizim é mais feliz que um fazendeiro,
Porque a deusinha, se entregando entre sussurros,
É bem capaz de qualquer cristo endoidecer.
E eu te confesso, sou tão só, que sinto inveja
E uma tristeza grande assim de contorcer.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CUSTÓDIA MARIA DOS SANTOS - Maria Lúcia Inocêncio Camargo.

Custódia Maria dos Santos.
Maria Lúcia Inocêncio Camargo.

Foi uma parteira em Mauá.
Durante muitos anos ela ajudou a trazer ao mundo muitas crianças em Mauá.
Seu apelido era Dona Nenê.
Como agradecimento as mulheres que ela ajudava a dar á luz pediam que ela batizasse seus filhos.
Ela era muito boa quando eu e meus irmãos íamos visita-la.
Tomávamos leite que ela tirava.
Comíamos frutas das árvores do seu quintal.
Ela era minha bisavó por parte de pai.
Ela teve três filhos e se casou duas vezes.
Em seu sítio ela criava cabras, galinhas, cavalos e algumas vacas com seus bezerrinhos.
As árvores frutíferas eram deliciosas hoje quase não se vê.
Quando eu nasci Mauá pertencia á Santo André. Ela tornou-se município em 1953.
Eu adorava ir á Mauá, pois sempre amei andar de trem e eu gostava da neblina que baixava na cidade quando menos se esperava.
Minha avó faleceu quando eu ainda era criança e tudo mudou.
Hoje minha bisavó é nome de Rua na Vila América em Mauá.
Custódia Maria dos Santos, dona Nenê!
Foi uma grande mulher.
Era negra com muito orgulho.

sábado, 25 de janeiro de 2014

MINHA FAMÍLIA - Maria Lúcia Inocêncio Camargo

Minha família

Somos uma mistura de negros.
Alemães, espanhóis e portugueses.
Nossas crianças são morenas de olhos negros como jabuticabas,
Cabelos reluzentes.
Herança dos mouros!
Loiras de olhos verdes e cabelos encaracolados.
Ruivos de olhos azuis.
Nossas mulheres têm seios fartos.
Cadeiras expressivas.
Os homens são altos!
Somos descendentes de vikings, guerreiros.
Navegadores espanhóis e portugueses.
Gostamos de cantar e temos uma bela voz!
A alegria de nossa família
Vem da África!Vem dos fados!Do Flamenco!
Onde nossos ancestrais até hoje cantam e dançam.
Para quem pensa que nos humilha
Falando de nosso cabelo enrolado
Eu digo não!
Nosso cabelo é motivo de orgulho!
Nossa comida é quindim.
Salsicha.
Bacalhau.
Feijoada.
Ostras, mexilhões e polvo.
Para agradar todos os nossos antepassados.
E viva a diversidade!
.

domingo, 29 de dezembro de 2013

DESPEDIDA DE 2013 - Maria Lúcia Inocêncio Camargo

Durante o ano corrente negligenciei os meus blogs tendo em vista que desde março de 2013 participo do Espaço do Artesanato em Socorro-SP.
Foram muitas reuniões, trabalho árduo pois eu não estava ambientada ainda.
Acertei muito mas errei muito também até entender como funciona uma Casa do Artesão.
Muitos interesses conflitantes mas enfim me encontrei.
Em 2014 pretendo rever meus horários e voltar ativamente aos meus interesses blogueiros.
Aos meus amigos,seguidores e visitantes desejo que o próximo ano seja muito próspero.
Que seus sonhos se realizem!



DESCENDO O PANO - Elza Fraga

DESCENDO O PANO

Se rugas sulcam a face
e os olhos já nem brilham
tanto


eu só culpo o pranto
por tanta vida fria
escorrendo
na coxia,

deveras não foi
o canto
a causa do estrago

pois esse foi amparo
nas noites vazias...

Agora,
quase na hora
de sair do palco,

me pego perguntando

se a alma vai vazia
ou leva bagagem

de terceira classe?

Imagem : Formatação Cida Fraga.

É com grande tristeza que informo que minha amiga Elza Fraga, cansada de pedir providências que não vieram deixou o Facebook.
Meu amigo Jander Drumond também deixou .

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

DESPEDIDA DE NÓS - Jorge Luiz Vargas

Jorge Luiz Vargas


DESPEDIDA DE NÓS
Hoje estamos partindo de nós
Não sabemos aonde o amor se perdeu
Tudo o que fizemos e sonhamos 
Tanto amor e carinho
Deixamos pelo caminho
Hoje estamos nos despedindo
Com incertezas, dúvidas, saudadeS
Nos olhamos, mas os olhos
Marejados pela tristeza
Não conseguiram se encontrar
Não tivemos tempo para um abraço
Como no primeiro encontro
Não tivemos tempo para um sorriso
Como tantos que o tempo nos deu
O mesmo tempo que agora diz
Que nosso tempo acabou, se perdeu
Tempo!
Por que não parou naquele exato momento
Do carinho, da paixão e da alegria
Por que não parou naquele instante
Do beijo roubado, do momento mais ousado
Do amor bem feito
Por que, tempo?
Por que tinha que ser desse jeito?
Resolveu parar logo agora
Na hora da dor no coração
Da saudade
E da falta que faz
Quem não tenho mais...
Jorge Luiz Vargas

terça-feira, 13 de agosto de 2013

AMANTES - Maria Lúcia Inocêncio Camargo

 AMANTES

Como um animal tangido pela vida e pela idade,
Ele seguia pela noite escura
Cabeça baixa como envergonhado.
Ela seguia a seu lado.
Parecia perguntar-se se valera a pena.
Mãos segurando mãos, mas escondidas.
Passaram não pararam.
Seguiram em frente
Calmamente, sem pressa.
Pressa para quê se o objetivo foi atingido?
Encontrar um abrigo para viver e morrer.

domingo, 11 de agosto de 2013

POEMA PARA ACALENTAR MEU PAI - Elza Fraga



POEMA PARA ACALENTAR MEU PAI

Quando olho
no fundo da tua pupila
a enxergo vazia
os sonhos desalojados,
um a um,

a vida que ali corria
agora ausente,

sem moradia,

a boca nem desmente
mais
o que o olho
não me diz.

Dá uma vontade imensa
de te pegar no colo

e demente
cuspir no tempo
este infeliz

e dizer baixinho
numa voz macia
de consolo :

Liga não,
meu pai.

Foi covardia!

[elza fraga]

domingo, 9 de junho de 2013

AMOR FEINHO
Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero um amor feinho.
( poema de Adélia Prado )
(Do livro Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 97)
*

Agora,ó José - Adélia Prado

Agora, ó José
É teu destino, ó José,
a esta hora da tarde,
se encostar na parede,
as mãos para trás.
Teu paletó abotoado
de outro frio te guarda,
enfeita com três botões
tua paciência dura.
A mulher que tens, tão histérica,
tão histórica, desanima.
Mas, ó José, o que fazes?
Passeias no quarteirão
o teu passeio maneiro
e olhas assim e pensas,
o modo de olhar tão pálido.
Por improvável não conta
O que tu sentes, José?
O que te salva da vida
é a vida mesma, ó José,
e o que sobre ela está escrito
a rogo de tua fé:
“No meio do caminho tinha uma pedra”
“Tu és pedra e sobre esta pedra”.
A pedra, ó José, a pedra.
Resiste, ó José. Deita, José,
Dorme com tua mulher,
gira a aldraba de ferro pesadíssima.
O reino do céu é semelhante a um homem
como você, José.
( poema de Adélia Prado )

(Do livro Bagagem. São Paulo: Siciliano, 1993. p. 34

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A UM AUSENTE - Maria Lúcia Inocêncio Camargo


A UM AUSENTE

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade

AMOR EM PAZ - Maria Lúcia Inocêncio Camargo


Amor em paz

Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar

Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz
Vinícius de Moraes

A CARTA - Maria Lúcia Inocêncio Camargo

A CARTA
Maria Lúcia Inocêncio Camargo

Acordei com o sol batendo na minha janela.
Me espreguicei,fiz um horinha e pulei da cama.
Peguei papel,caneta e escrevi.
Coloquei toda a minha'alma naquelas linhas...
Contei meus desejos,meus devaneios,meus sonhos...
Confessei meus amores,minhas loucuras...
Depois de escrita,não enviei.
Não sabia para quem...

domingo, 14 de abril de 2013

QUEM DE MIM... - Barão da Mata

QUEM DE MIM...?

Se eu fosse teu amante mais fogoso,
Namorado mais intenso, afetuoso,
O teu homem mais viril, impetuoso,
Teu mulato espadaúdo, musculoso,
Teu herói destemido, valoroso...?

Se eu fosse teu poeta vagabundo,
Teu cantor de sentimento mais profundo,
Teu guerreiro tão audaz, tão iracundo,
Teu guru a te ensinar coisas do mundo,
Teu mentor de terras longes oriundo...?

Se eu fosse um milagroso feiticeiro,
O teu caso mais bonito e mais faceiro,
Mulherengo atrevido e aventureiro,
Teu galante e delicado seresteiro,
Teu entregue apaixonado violeiro...?

Quem de todos enfim preferirias,
Quem de mim, mulher, escolherias,
Para seres minha e só minha tão somente,
Pra me amares então dementemente?

Barão da Mata

domingo, 7 de abril de 2013

A ESTRELA CANTA - Barão da Mata

A ESTRELA CANTA

A estrela canta,
e a sua voz suave de pluma se expande pelos quatro cantos do teatro,
e atravessa as paredes para ganhar o Universo.
Fascínio, hipnose, alumbramento...
A voz da estrela me leva consigo pr'um mundo encantado
de puro lirismo.
Eu, embriagado de sua voz...
sua voz...
sua voz, que emana fachos de luz coloridos
que iluminam docemente a alma de todos.

Meu olhar embevecido contempla todo o tempo aquela diva,
e minh'alma se vê escravizada pelo seu cantar.
Eu, escravo, absorto, mais pareço um menino
arrebatado pela primeira paixão.

Barão da Mata

quinta-feira, 4 de abril de 2013

ASSASSINATO - Elza Fraga


ASSASSINATO

Esvaziou o peito

do ar que o amor
guardara
por um bom tempo,

sufocou
até perder
a inspira-ação,

matou
por asfixia
o sentimento,

até já,
volto logo,
nem foi dito...

Nunca mais foi visto.

[elza fraga]

Powered By Blogger

Uma mulher apaixonada pela vida!

Minha lista de blogs

Arquivo do blog