terça-feira, 12 de setembro de 2017

Reminiscências...Maria Lúcia Inocêncio Camargo

Reminiscências

Hoje acordei com saudades de não sei o quê
Uma dor muito forte no meu ser
Saudades de você?
Nem sei a qual você me refiro.
Será de meu primeiro amor?
Talvez seja.
Porém, qual é o primeiro?
Aquele que ficou na memória?
Aquele que me beijou primeiro?
Aquele que me abraçou com carinho?
Aquele que me deflorou e se espantou?
Não sei!

domingo, 28 de maio de 2017

Lindaura,a filha da terra.- Barão da Mata

LINDAURA, A FILHA DA TERRA
Lindaura era filha da terrra,
Ou mais, era bicho da terra,
Era coisa da terra, assim como arara,
Assim como as lendas, assim como as onças,
Assim como as antas, jacus, gaviões.
Lindaura, mulher de família,
Colhia castanhas, mãos dadas co'a mata,
Criava seus filhos, amava o marido,
Amava esta vida, na paz mais completa.
Lindaura, porém, jamais esperara,
Que um monte de bestas, com foices e serras,
Com armas em punho e seus olhos de monstro,
Fizesse da mata um paiol de madeira.
Matassem as onças, jacus, gaviões,
Matassem seu homem, roubassem-lhe a terra,
A paz, a alegria, projetos e sonhos.
Lindaura, sem terra e sustento,
Desceu lá do norte, fincou pé no Rio,
Depois das agruras e mil provações
Vividas em tantas cidades distintas,
Depois de ser tudo o que nunca pensara:
Meretriz e mendiga, faxineira também.
Lindaura, hoje em dia, tão longe da terra,
Do lixo das ruas que ganha seu pão.
Tem dores no corpo, saudades doídas,
Dois filhos no crime, um morto de dengue.
Menor de cinquenta, parece tão velha,
Desejos, se tem, são todos de morte,
Se tem esperança, é o rumo do tempo,
Que um dia a irá suprimir deste mundo.

sábado, 25 de março de 2017

NOITE SÚBITA


Era a tarde bonita e colorida,
E vertia alegria pelas ruas,
E era toda enfeitada de esperança.
Eu andava, assim tão leve qual planasse,
Derramava meu deleite em cada esquina,
Com minha’alma extasiada pela vida.
Por que foi que então Sônia Cristina,
Sua fala altiva, dura e fria
Fez que a noite chegasse de repente
E se enchesse de trevas , labirintos,
E eu voltasse, assim pesado como o mundo,
Gotejando minha dor pelas sarjetas,
Coração tão saturado da existência?

Só tu -Fernando Pessoa

Só Tu - Fernando Pessoa

De todas as que me beijaram,
De todas as que me abraçaram,
já não me lembro, nem sei...
Foram tantas as que me amaram,
Foram tantas as que eu amei.
Mas tu, que rude contraste,
Tu que jamais me abraçaste,
Tu que jamais me beijaste,
Só tu nesta alma ficaste,
De todas as que eu amei...

quarta-feira, 22 de março de 2017

A mulher e a patroa - Martha Medeiros

A mulher e a patroa

Há homens que têm patroa. Ela sempre está em casa quando ele chega do trabalho. O jantar é rapidamente servido à mesa. Ela recebe um apertão na bochecha. A patroa pode ser jovem e bonita, mas tem uma atitude subserviente, o que lhe confere um certo ar robusto, como se fosse uma senhora de muitos anos atrás. 

Há homens que têm mulher. Uma mulher que está em casa na hora que pode, às vezes chega antes dele, às vezes depois. Sua casa não é sua jaula nem seu fogão é industrial. A mulher beija seu marido na boca quando o encontra no fim do dia e recebe dele o melhor dos abraços. A mulher pode ser robusta e até meio feia, mas sua independência lhe confere um ar de garota, regente de si mesma. 

Há homens que têm patroa, e mesmo que ela tenha tido apenas um filho, ou um casal, parece que gerou uma ninhada, tanto as crianças a solicitam e ela lhes é devota. A patroa é uma santa, muito boa esposa e muito boa mãe, tão boa que é assim que o marido a chama quando não a chama de patroa: mãezinha. 

Há homens que têm mulher. Minha mulher, Suzana. Minha mulher, Cristina. Minha mulher, Tereza. Mulheres que têm nome, que só são chamadas de mãe pelos filhos, que não arrastam os pés pela casa nem confiscam o salário do marido, porque elas têm o dela. Não mandam nos caras, não obedecem os caras: convivem com eles. 

Há homens que têm patroa. Vou ligar pra patroa. Vou perguntar pra patroa. Vou buscar a patroa. É carinho, dizem. Às vezes, é deboche. Quase sempre é muito cafona.

Há homens que têm mulher. Vou ligar para minha mulher. Vou perguntar para minha mulher. Vou buscar minha mulher. Não há subordinação consentida ou disfarçada. Não há patrões nem empregados. Há algo sexy no ar. 

Há homens que têm patroa. 
Há homens que têm mulher. 
E há mulheres que escolhem o que querem ser.
Martha Medeiros

A PUTA- Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andradeé


A puta
Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na rua de Baixo
Onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
E labaredas torram a língua
De quem disser: Eu quero
A puta
Quero a puta quero a puta.

Ela arreganha dentes largos
De longe. Na mata do cabelo
Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente. A puta quente.

É preciso crescer esta noite inteira sem parar
De crescer e querer
A puta que não sabe
O gosto do desejo do menino
O gosto menino
Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Exposição em Socorro.

4a Exposição de Arte Naif “Cor Ação-Patrimônios” 2016
Duração: de 7 de outubro a 15 de Novembro
Horários : de 2af a 6af de 9h às 18h
Local: Palácio das Águias - Salão Azul
Rua Campos Sales , 177 - Centro
Tel 19 3895 4252
Livre. Grátis.
Vamos prestigiar!

Exposiçao de Arte Naif em Socorro - SP

4.Exposição de Arte Naif "Cor Ação Patrimônio"
 ABERTURA 07 DE OUTUBRO DE 2016.
Cidade Socorro.
Reunirá mais de 90 trabalhos de 49 artistas brasileiros e 03 artistas internacionais.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

NOSTALGIA

Estou perdido num tempo
em que tudo que amei se foi,
em que tudo que havia perdeu-se,
tudo o que havia não há.
Não há mais casas singelas
com casais apaixonados
se beijando nos jardins.
Não há mais olhos brilhantes
de mulher enamorada
sob a lua cor de prata.
Não há mais brisa de outono
nem cantiga matutina
para iluminar as manhãs.
Não há mais praças bonitas
com casais cheios de sonhos
e crianças a brincar.
Não há mais o jasmineiro
sob o qual beijava Helena
entre juras imaturas.
Não há mais o violão
que meu pai tocava à noite,
a me encher de comoção.
Não há mais canção bonita
e olhar cheio de súplica
de menina apaixonada.
Não há mais noites de a alma
libertar-se dos pecados
e entregar-se à poesia.
Não há mais momentos líricos
de querer amar profundo,
de querer viver de amor.
Não há mais nenhuma hora
de dizer versos bonitos
e de ouvir coisas tocantes.
Não há mais canção de roda,
não há mais meus pais, a casa
que abrigou a minha infância.
Não há mais a adolescência,
não há mais a juventude,
não há mais aqueles tempos
tão distantes, que parecem
aos meus olhos tão vividos
mais quimeras que lembranças.
Barão da Mata
www.baraodamatapoemas.blogspot.com.br

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Crônica sobre minha mãe - Maria Lúcia Inocêncio Camargo

Mamãe era uma pessoa maravilhosa porém muito tímida e submissa.
Fico imaginando quantas coisas poderíamos ter aprendido uma com a outra.
Mamãe acreditava que conversas com filhos deveriam ser amenas e não envolver assuntos de saúde, da vida e familiares.
Ela sofria calada tanto com doenças,com conflitos com o papai ou com filhos.
Hoje, quando sofro com a diabetes doença que ela tinha ,vejo como ela não se cuidou.
Nunca ela falou sobre isso, nem mesmo quando perguntada.
Não sei os remédios que ela tomava ,nome, frequência,nada.
Por isso não tenho como saber se o que sinto ela sentia também.
Gosto mais desta época onde mães e filhos se comunicam.
Mamãe sempre podava minhas amizades.Apesar de tê-las ela não gostava que eu recebesse amigas em casa,tinha ciúmes não sei porque. Sem querer,ela ajudou a que eu não sarasse da fobia social.
Hoje vivemos outra época,outro jeito e eu gosto muito.

Uma mulher apaixonada pela vida!

Minha foto

Trabalhei no serviço público e quando me aposentei passei a fazer trabalhos manuais, poesias, artes plásticas e artesanato.Tenho um pequeno ateliê e sou muito ocupada Adoro viajar e fazer cursos.Sou blogueira com muito orgulho.Amo ajudar a cuidar dos meus netos.
Meu desejo é divulgar meu trabalho e conhecer pessoas.

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