sábado, 25 de março de 2017

NOITE SÚBITA


Era a tarde bonita e colorida,
E vertia alegria pelas ruas,
E era toda enfeitada de esperança.
Eu andava, assim tão leve qual planasse,
Derramava meu deleite em cada esquina,
Com minha’alma extasiada pela vida.
Por que foi que então Sônia Cristina,
Sua fala altiva, dura e fria
Fez que a noite chegasse de repente
E se enchesse de trevas , labirintos,
E eu voltasse, assim pesado como o mundo,
Gotejando minha dor pelas sarjetas,
Coração tão saturado da existência?

Só tu -Fernando Pessoa

Só Tu - Fernando Pessoa

De todas as que me beijaram,
De todas as que me abraçaram,
já não me lembro, nem sei...
Foram tantas as que me amaram,
Foram tantas as que eu amei.
Mas tu, que rude contraste,
Tu que jamais me abraçaste,
Tu que jamais me beijaste,
Só tu nesta alma ficaste,
De todas as que eu amei...

quarta-feira, 22 de março de 2017

A mulher e a patroa - Martha Medeiros

A mulher e a patroa

Há homens que têm patroa. Ela sempre está em casa quando ele chega do trabalho. O jantar é rapidamente servido à mesa. Ela recebe um apertão na bochecha. A patroa pode ser jovem e bonita, mas tem uma atitude subserviente, o que lhe confere um certo ar robusto, como se fosse uma senhora de muitos anos atrás. 

Há homens que têm mulher. Uma mulher que está em casa na hora que pode, às vezes chega antes dele, às vezes depois. Sua casa não é sua jaula nem seu fogão é industrial. A mulher beija seu marido na boca quando o encontra no fim do dia e recebe dele o melhor dos abraços. A mulher pode ser robusta e até meio feia, mas sua independência lhe confere um ar de garota, regente de si mesma. 

Há homens que têm patroa, e mesmo que ela tenha tido apenas um filho, ou um casal, parece que gerou uma ninhada, tanto as crianças a solicitam e ela lhes é devota. A patroa é uma santa, muito boa esposa e muito boa mãe, tão boa que é assim que o marido a chama quando não a chama de patroa: mãezinha. 

Há homens que têm mulher. Minha mulher, Suzana. Minha mulher, Cristina. Minha mulher, Tereza. Mulheres que têm nome, que só são chamadas de mãe pelos filhos, que não arrastam os pés pela casa nem confiscam o salário do marido, porque elas têm o dela. Não mandam nos caras, não obedecem os caras: convivem com eles. 

Há homens que têm patroa. Vou ligar pra patroa. Vou perguntar pra patroa. Vou buscar a patroa. É carinho, dizem. Às vezes, é deboche. Quase sempre é muito cafona.

Há homens que têm mulher. Vou ligar para minha mulher. Vou perguntar para minha mulher. Vou buscar minha mulher. Não há subordinação consentida ou disfarçada. Não há patrões nem empregados. Há algo sexy no ar. 

Há homens que têm patroa. 
Há homens que têm mulher. 
E há mulheres que escolhem o que querem ser.
Martha Medeiros

A PUTA- Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andradeé


A puta
Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na rua de Baixo
Onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
E labaredas torram a língua
De quem disser: Eu quero
A puta
Quero a puta quero a puta.

Ela arreganha dentes largos
De longe. Na mata do cabelo
Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente. A puta quente.

É preciso crescer esta noite inteira sem parar
De crescer e querer
A puta que não sabe
O gosto do desejo do menino
O gosto menino
Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Exposição em Socorro.

4a Exposição de Arte Naif “Cor Ação-Patrimônios” 2016
Duração: de 7 de outubro a 15 de Novembro
Horários : de 2af a 6af de 9h às 18h
Local: Palácio das Águias - Salão Azul
Rua Campos Sales , 177 - Centro
Tel 19 3895 4252
Livre. Grátis.
Vamos prestigiar!

Exposiçao de Arte Naif em Socorro - SP

4.Exposição de Arte Naif "Cor Ação Patrimônio"
 ABERTURA 07 DE OUTUBRO DE 2016.
Cidade Socorro.
Reunirá mais de 90 trabalhos de 49 artistas brasileiros e 03 artistas internacionais.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

NOSTALGIA

Estou perdido num tempo
em que tudo que amei se foi,
em que tudo que havia perdeu-se,
tudo o que havia não há.
Não há mais casas singelas
com casais apaixonados
se beijando nos jardins.
Não há mais olhos brilhantes
de mulher enamorada
sob a lua cor de prata.
Não há mais brisa de outono
nem cantiga matutina
para iluminar as manhãs.
Não há mais praças bonitas
com casais cheios de sonhos
e crianças a brincar.
Não há mais o jasmineiro
sob o qual beijava Helena
entre juras imaturas.
Não há mais o violão
que meu pai tocava à noite,
a me encher de comoção.
Não há mais canção bonita
e olhar cheio de súplica
de menina apaixonada.
Não há mais noites de a alma
libertar-se dos pecados
e entregar-se à poesia.
Não há mais momentos líricos
de querer amar profundo,
de querer viver de amor.
Não há mais nenhuma hora
de dizer versos bonitos
e de ouvir coisas tocantes.
Não há mais canção de roda,
não há mais meus pais, a casa
que abrigou a minha infância.
Não há mais a adolescência,
não há mais a juventude,
não há mais aqueles tempos
tão distantes, que parecem
aos meus olhos tão vividos
mais quimeras que lembranças.
Barão da Mata
www.baraodamatapoemas.blogspot.com.br

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Crônica sobre minha mãe - Maria Lúcia Inocêncio Camargo

Mamãe era uma pessoa maravilhosa porém muito tímida e submissa.
Fico imaginando quantas coisas poderíamos ter aprendido uma com a outra.
Mamãe acreditava que conversas com filhos deveriam ser amenas e não envolver assuntos de saúde, da vida e familiares.
Ela sofria calada tanto com doenças,com conflitos com o papai ou com filhos.
Hoje, quando sofro com a diabetes doença que ela tinha ,vejo como ela não se cuidou.
Nunca ela falou sobre isso, nem mesmo quando perguntada.
Não sei os remédios que ela tomava ,nome, frequência,nada.
Por isso não tenho como saber se o que sinto ela sentia também.
Gosto mais desta época onde mães e filhos se comunicam.
Mamãe sempre podava minhas amizades.Apesar de tê-las ela não gostava que eu recebesse amigas em casa,tinha ciúmes não sei porque. Sem querer,ela ajudou a que eu não sarasse da fobia social.
Hoje vivemos outra época,outro jeito e eu gosto muito.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

TRAZE PRA MIM-Barão da Mata


TRAZE PRA MIM
Traze pra mim
O teu verbo mais bonito,
Um olhar apaixonado
E um se-dar tão sem tamanho,
Que eu inspire a vida num prazer tão infinito,
Que o mundo à minha volta mais pareça a poesia
A vibrar pelas esquinas, sussurrar-me lindos versos,
A bailar nas ruas, praças e a brilhar no firmamento.
Barão da Mata

domingo, 10 de abril de 2016

Historias que o povo conta.-Maria Lúcia Inocêncio Camargo.

Histórias que o povo conta.


Maria Lúcia Inocêncio Camargo


Não sei porque hoje me lembrei de um caso que ouvi.
Uma senhora tinha vários filhos e um marido muito rígido.
Sua vida com o esposo não era um mar de rosas como se diz.
Ele era grosseiro e se achava o dono da verdade.
Os móveis não podiam ser trocados, eram antigos como peças de museu.
A casa tinha janelões que nunca eram abertos.
Na sala de visitas a lampada era  de luz amarela e uma só.Então a casa era muto tétrica com aquela escuridão.
A cozinha ainda tinha fogão á lenha . 
Quando chegavam as visitas a mulher tinha que ir para o quarto.
Os filhos não falavam com ela e o marido só falava para dar ordens.
O quarto que reservaram para ela tinha só uma cama patente.Ela tinha que usar urinol, não podia usar o banheiro nem outras dependências da casa que era enorme.
Isso era um castigo enorme!
O que teria feito essa mulher para ser tratada dessa forma?
Um dia ela ficou doente entre a vida e a morte.
Todos desesperados não sabiam o que fazer.O médico disse que ela não viveria muito tempo.
Chamaram o padre. A mulher se confessou e recebeu a extrema unção e um conselho do padre.
Deveria lavar sua alma e relatar tudo o que havia confessado a ele.
A mulher como já se considerava no reino do céu chamou o marido e disse-lhe:-"Me perdoe,não quero morrer com esse pecado tenho um segredo para lhe confessar.
O marido disse -"não precisa contar pois você é uma mulher virtuosa e seu pecado deve ser uma bobagem.Fique tranquila!
Mas a mulher insistiu muito pois tinha medo de morrer com esse pecado pois o padre disse que só a absolveria depois dela falar ao marido.
A pobre insistiu muito e contou que uma vez havia se apaixonado pelo seu cunhado e ele  também por ela. Que ela fora feliz com ele , recebera muita atenção e haviam consumado seu amor.
O marido ficou possesso, chamou toda a família, os filhos os vizinhos e o irmão.
Falou que ela era pior que prostituta e que deveria morrer!A mulher como que por encanto não morreu sarou completamente.E vivia assim como se não estivesse ali.Quando chegava alguém ela  tinha que se recolher ao seu quarto e os filhos contavam a sua infelicidade. Todos a xingavam de maldita, prostituta e outros nomes que não posso dizer.Quando fiquei sabendo do caso , fazia mais de vinte anos que ela revelara seu segredo.
Ficar sem abrir a boca por todo esse tempo não poder sentar-se á mesa isso é terrível.

Uma mulher apaixonada pela vida!

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Trabalhei no serviço público e quando me aposentei passei a fazer trabalhos manuais, poesias, artes plásticas e artesanato.Tenho um pequeno ateliê e sou muito ocupada Adoro viajar e fazer cursos.Sou blogueira com muito orgulho.Amo ajudar a cuidar dos meus netos.
Meu desejo é divulgar meu trabalho e conhecer pessoas.

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